Páginas

10 março 2011

LESMAS-DO-MAR MOVIDAS A ENERGIA SOLAR!

Descoberto animal que faz a fotossíntese!


A Elysia chlorotica é uma lesma do mar de cor verde, que habita a costa este dos Estados Unidos e Canadá. Até há pouco tempo a lesma era conhecida por “roubar” os genes das algas de que se alimenta, as Vaucheria litorea. Desta forma obtinha os cloroplastos, armazenando-os nas células que cobrem os seus intestinos. No entanto, os últimos estudos revelam que o molusco marinho desenvolveu as suas capacidades químicas, permitindo-lhe fabricar clorofila. Na lesma marinha, os cloroplastos extraídos permanecem activos durante um ano, o que significa que, no caso de uma lesma jovem se alimentar uma vez das algas e tiver acesso à luz solar, não tem necessidade de voltar a comer durante a sua vida. 

Um grupo de investigadores portugueses, que se tem dedicado ao estudo de uma espécie  destes insólitos animais, existente no Mediterrâneo, descobriu que, em condições de luz alta, a eficiência fotossintética é maior nestas lesmas do que nas algas de que se alimentam. Isto porque os cloroplastos destas algas, em condições de elevada luminosidade entram num processo de fotoinibição que baixa o seu rendimento fotossintético. No organismo das lesmas estes pigmentos estão protegidos por prolongamentos da pele que podem abrir ou fechar em função das condições de luminosidade a que se encontrem expostos. Além disso também foi observado que estes animais tendem a deslocar-se para locais com menor intensidade luminosa, coisa que as algas não podem fazer!


Inovação evolutiva

“É fascinante como um animal pode ser ainda mais eficiente fazer fotossíntese do que a alga a quem roubou a maquinaria!”, comentou Bruno Jesus, investigador do Centro de Oceanografia e primeiro autor do estudo. “Algures, no decorrer da evolução, esta associação terá sido fortemente benéfica para este grupo de lesmas-do-mar, provavelmente na colonização de águas pouco profundas. Embora este processo evolutivo esteja longe de ser entendido, é certamente uma lição a ter em conta que demonstra que as inovações evolutivas têm muito menos fronteiras do que “a priori” poderíamos pensar”, acrescentou.

Adaptado de um artigo publicado no site Ciência Hoje

1 comentário:

  1. A Ana Sofia (10ºC) disse:
    Para mim, o que mais me impressionou foi o facto de a lesma-do-mar ter uma eficiência fotossintética maior, em condições de boa luminosidade, do que as próprias algas!

    ResponderEliminar